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27 julho 2018

Entenda o acordo de leniência da SBM e veja como afeta o mercado de FPSOs

O acordo de leniência acertado entre a SBM Offshore e o Ministério da Transparência (CGU) e a Advocacia Geral da União (AGU) terá impacto direto na licitação do FPSO de Mero II, que está sendo contratado pelo consórcio Libra (Petrobras, Shell, Total, CNPC, CNOOC) e tem previsão de entrada em operação em 2022. O consórcio

O acordo de leniência acertado entre a SBM Offshore e o Ministério da Transparência (CGU) e a Advocacia Geral da União (AGU) terá impacto direto na licitação do FPSO de Mero II, que está sendo contratado pelo consórcio Libra (Petrobras, Shell, Total, CNPC, CNOOC) e tem previsão de entrada em operação em 2022. O consórcio receberia propostas para a contratação da unidade de produção no último dia 29, mas acabou adiando o prazo da concorrência para 15 de outubro.

 

A licitação agora muda de cenário. Com a entrada da SBM Offshore no páreo, as estratégias certamente serão revistas. Além da grande experiência no fornecimento de unidades de produção de grande porte – Mero 2 terá capacidade para produzir 180 mil barris por dia de petróleo e comprimir 12 milhões de m3/dia de gás natural – a empresa tem grande conhecimento do mercado brasileiro, sendo sócia do Estaleiro Brasa, em Niterói, onde construiu módulos e fez integração de três FPSOs afretados pela Petrobras.

 

As empresas chegarão em outubro tendo que apresentar duas propostas para a construção do FPSO, uma com o conteúdo local alto e outra com o conteúdo local reduzido. A concorrência fica mais acirrada com a entrada da SBM, já que a empresa construiu mais de seis módulos para os FPSOs Saquarema, Maricá e Ilhabela. É provável, portanto, que Modec, Exmar e outros competidores revejam suas propostas.

 

No fim, melhor para o consórcio Libra, que pode conseguir capturar um preço melhor na concorrência. Pode ser também bom para a indústria naval brasileira, já que a SBM constrói módulos e faz integração em seu próprio estaleiro por aqui. E a empresa tende a querer viabilizar seu estaleiro.

 

A SBM é responsável hoje por sete FPSOs em operação no país, sendo seis afretados pela Petrobras e um pela Shell. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que as unidades respondem pela produção de 666 mil barris por dia de petróleo e 21 milhões de m3/dia de gás natural.

 

Novo comando

 

 

Em março, a SBM Offshore mudou o comando no Brasil.  Eduardo Chamusca, que era o General Manager da OPS, joint venture entre a SBM Offshore e Sonangol, baseada em Angola, substituiu Oliver Kassam, que comandava a empresa desde agosto de 2015 e assumiu recentemente o comando da Airborne Oil & Gas.

 

A própria SBM admitiu no seu resultado anual de 2017  que a situação no Brasil continuava complexa e que não podia garantir que uma solução satisfatória seria alcançada. A empresa também dizia que não poderia estimar prazo para mudanças na atual situação. A SBM chegou a fechar um acordo de leniência com o MPF, mas o acordo acabou não sendo homologado pela 5a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal em setembro de 2016.

 

De lá para cá, a empresa vinha lutando para conseguir o acordo e voltar a poder assinar contratos com Petrobras. A própria estatal queria a SBM como fornecedora. Em setembro de 2015, voltou a convidar a empresa para participar das licitações, mas condicionando a assinatura dos contratos ao acordo de leniência.

 

E é fácil entender a razão de a Petrobras querer a SBM Offshore em suas concorrências. SBM e Modec são as duas maiores empresas afretadoras de FPSOs do mundo e possuem target para unidades de produção de grande porte, como as plataformas de 180 mil barris por dia que estão sendo utilizadas no pré-sal.

 

A Modec é hoje a principal concorrente da SBM e levou as últimas plataformas de grande porte afretadas pela Petrobras.  A excessão é o FPSO Búzios 5, que teve menor preço ofertado pela Exmar, que não tem experiência com unidades de produção com capacidade para 180 mil barris por dia.

 

A nova gestão da SBM Offshore também precisará preparar a empresa para as concorrências das petroleiras estrangeiras no país. A Statoil já sinaliza que pretende colocar a descoberta de Carcará, feita no bloco BM-S-8, no pré-sal da Bacia de Santos, para produzir a partir de 2023/2024, o que pode indicar uma licitação para 2020. Basta saber se a empresa vai usar um FPSO no desenvolvimento da produção, como era o plano original da Petrobras antes da venda da área.

 

Outra empresa que pode demandar unidade de produção no curto prazo é a Shell, que vai desenvolver com a Total o projeto de Gato do Mato, na Bacia de Santos. A empresa já está preparando para o próximo ano campanha de perfuração para delimitação das descoberta com a área unitizável arrematada no leilão do ano passado. Protocolou o pedido de licenciamento do projeto um dia após assinar o contrato de partilha da produção. Não quer perder tempo.

Fonte : Empresa de Pesquisa Energética

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